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A diferença entre pedir e saber conduzir

Hoje, dois desenvolvedores podem usar a mesma IA para escrever exatamente a mesma funcionalidade. A diferença aparece quando alguma coisa dá errado.
Um descreve o que precisa e deixa a ferramenta decidir o caminho. O outro já conhece a estrutura do projeto, define as regras, orienta a implementação e confere se cada etapa ainda faz sentido dentro do que foi planejado.
Ambos usam a mesma ferramenta. Um constrói; o outro apenas recebe.
Saber conduzir não exige prompts intermináveis nem instrução linha a linha. Exige domínio suficiente para perceber quando algo não se encaixa, questionar uma solução que parece boa demais e reconhecer quando determinada abordagem pode custar caro depois.
Uma IA pode gerar um sistema de autenticação que passa nos testes, mas não verifica corretamente as permissões do usuário. O código funciona naquele momento e, ainda assim, pode abrir uma brecha de segurança, dificultar alterações futuras ou entrar em conflito com o que já existe.
E como identificar esses problemas quando não se entende o que está sendo gerado?
Sem essa base, a tendência é aceitar o que funcionou e só depois descobrir o preço. A IA escreve rápido, mas não conhece as particularidades do projeto que você não informou. Cabe a você fornecer esse contexto e garantir que a implementação faça sentido no sistema.
Produzir mais código em menos tempo não significa, por si só, ser mais produtivo. Se isso exigir horas de correção depois, o ganho inicial de velocidade se perde.
Usar IA para programar é relativamente fácil. Conduzir o desenvolvimento com ela exige experiência e critério. Isso levanta uma questão: até que ponto alguém que não entende o código que gera pode assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento?